
A música tem mais de um ano, mas só há pouco se deu o tropeção. Melhor, já nos havíamos cruzado, mas nunca com olhos de ver. A verdade é que, desde que a letra se dissociou da música, para entrar no aparelho auditivo, o resultado tem sido um incremento exponencial, ali num intervalo de cinco-dez minutos, na motivação para ver um filme. Seja ele qual for. Digamos que, se houver por ai afrodisíacos cinematográficos, a canção dos João Só e Abandonados está seguramente entre os melhores.
A abrir as hostilidades, a música começa com um rima onde baralhado joga com filme alugado. Caramba. A ideia de alguém alugar um filme é quase tão romântica quanto a ideia de alguém sentado a escrever a letra para uma melodia, e lembrar-se que houve um tempo em que filme alugado era a única maneira de ver o que não se tinha apanhado nas salas.
Logo a seguir, props ao Mestre Lee. A vontade de ver Enter the Dragon aumenta ali logo uns 200%. Mais à frente fala-se de efeitos especiais, mercúrios a subir – numa clara alusão ao filme de Harold Becker com Bruce Willis –, e marcianos – que poderão advir de inúmeras películas, mas que pelo título da música nos lembram, por efeito de primazia, os simpáticos alienígenas de Tim Burton. Sim, porque a canção chama-se A Marte. Dezasseis. É este o número de vezes que se diz, durante a música, que alguém vai a Marte. E, ir a Marte só pode significar uma coisa. Brian de Palma. Daí este desejo insaciável, quando a música chega ao fim, de ver Os Intocáveis.
Alvy Singer